Ontem, dia 22, foi a estréia da terceira temporada da série Skins, que está no ar desde 2007. Aqui no Brasil, aquele moço chapado contratado para traduzir nomes estrangeiros resolveu chamá-la de Juventude à Flor da Pele.
A HBOplus exibe atualmente a segunda temporada do programa, mas sem horário fixo. Ou seja, quando dá na telha deles, o que é uma pena.
Na teoria, Skins é uma espécie de Malhação inglesa: uma mistura de drama e comédia (sim, isso é possível) que trata da vida de adolescentes. Contudo, as semelhanças entre os dois programas ficam apenas na teoria, já que a produção inglesa faz a brasileira parecer uma canção de ninar, não apenas pelo teor dos temas tratados (e literalmente mostrados), mas também pela densidade de seus roteiros e personagens.
Os roteiristas da série tem uma média de idade de vinte anos e não se preocupam em ser politicamente corretos. Ou seja, você nunca verá um personagem pedir
“uma rodada de suco para a galera”.

Após duas temporadas emocionantes (tentativa de suicídio, gravidez precoce, transtorno alimentar, desestruturação familiar, consumo de
todo tipo de droga, atropelamento, relacionamento amoroso com professora, morte, homossexualismo, constante troca de casais e muitas,
muitas festas) e muito bem sucedidas, a emissora E4, responsável pela série, tomou uma medida drástica: dispensou todos os seus protagonistas.
Apenas personagens secundários (ou até terciários [?]) permaneceram. A nova protagonista, Effy, por exemplo, teve apenas uma fala na primeira temporada. Seu papel cresceu na segunda, já como uma espécie de preparação para a ligação que ela faria entre os novos e os antigos personagens no futuro.
Apesar de não ter mais nomes relativamente conhecidos em seu elenco como no início (Nicholas Hoult, o menininho de Um Grande Garoto, e Dev Patel, o protagonista do filme queridinho do Globo de Ouro e do Oscar, Slumdog Millionaire), o primeiro episódio da nova fase da série não decepcionou e contou com “adultos” tão idiotizados que justificariam o comportamento “à flor da pele” dos jovens.
Apesar da aparente superficialidade e inversão de valores da série, ao longo do tempo, explicações e justificativas acabam se mostrando. Todos têm neuras, vícios, defeitos e qualidades, assim como os seus amigos de carne e osso. Talvez seja esse o encanto de Skins. Seus personagens são tão humanos que nos lembram de nós mesmos e de nossos amigos.
É claro que você e seus amigos de carne e osso não freqüentam tantas festas sensacionais, nem usam roupas tão legais (futuramente, farei um post sobre a moda de Skins *-*), nem têm aquele sotaque britânico que dá vontade de beber (?).
Assista aqui uma espécie de trailer da terceira temporada de Skins.
ps: O jeito mais fácil de assistir Skins é baixando pela internet e se convencendo de que você não sabe inglês ao escutar o sotaque de Bristol.